Eleições 2020: cobri a comemoração para a Vogue Brasil e o Juicy Santos, mas é importante refletir sobre a democracia americana

Os Democratas ganharam e tive a oportunidade de mostrar um pouquinho da comemoração em #NY para a Vogue e para o Juicy Santos. Eu estava fazendo feira, como faço todo sábado, em frente ao Prospect Park e Grand Army Plaza, monumento que celebra líderes abolicionistas da Guerra Civil, e a sensação de ter testemunhado história nesse lugar simbólico é inevitável. Porém, passado o êxtase de uma semana na montanha russa da apuração, falar de democracia americana não se resume à sensação de carnaval que tomou conta de lugares como o Brooklyn. Sim, Kamala (e tudo que ela representa) será VP num país em que, até um século atrás, mulheres não podiam sequer votar.

Mas é saudável lembrar que:

A data oficial das eleições cai numa terça-feira, herança de quando o país era majoritariamente agrícola (1845). Funcionava pro calendário de colheita, pra rotina da população rural, mas não mudou até hoje, quando mais de 4/5 da população reside em áreas urbanas. Essa terça não é feriado.

Até o final da Guerra Civil (1865), negros eram considerados 3/5 de uma pessoa. Mais da metade da população de 4 milhões de escravos viviam na região sul do país. Até hoje eleitorxs de estados dessa região tem seu direito ao voto dificultado por decisões respaldadas pela Suprema Corte. 

Os delegados eleitorais, que na teoria validam o voto popular, não tem obrigação de votar como votou o estado que elxs representam. Essa figura foi criada (1787) sob o princípio de que a população não teria informações e capacidade para fazê-lo – e persiste na era da tecnologia da informação.

Num sistema Winner-take-all, não há “prêmio” para ser conquistado por partidos menores, com propostas diferentes do Republicano ou do Democrata. Ou seja, basicamente eleitorxs só tem duas opções. E obviamente esses dois partidos não estão interessados em desconstruir o sistema bipartidário.

Tem muita gente genuinamente feliz com a eleição por aqui. Tem muitx new yorker não necessariamente feliz, mas aliviadx. Além do trabalho que começa agora, é importante não perder de vista que há mecanismos que ainda limitam o direito de escolha nos Estados Unidos – o que inevitavelmente influencia o processo democrático de outros países.

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