Hollywood em tempos de Silicon Valley: dicas de trip para Los Angeles!

Fiz uma trip curtinha até Los Angeles nos últimos dias e conto aqui o que vi de diferente e que vale incluir – dica de Airbnb, como se locomover, lugares diferentes pra visitar e, óbvio, comida boua pra se comer – no seu próximo roteiro em Hollywood. Coloca o óculos escuro, valoriza sua Havaianas e vem, miglis!

NA TERCEIRA PASSAGEM, PULEI OS CLÁSSICOS

Essa foi a minha terceira viagem até a Califórnia e LA sempre foi um lugar de passagem, seja porque cheguei no aeroporto de lá pra fazer uma road trip até San Francisco (em 2017), ou porque tirei uns finais de semana para conhecer Hollywood e os parques de diversão quando fiz um curso de inglês em San Diego (em 2010).

Então não vou listar nesse post os básicos que todo mundo faz e deve fazer quando vai pra LA, tipo meter a mão na estrela do Michael Jackson onde todo mundo pisa na calçada da fama, ou visitar o Hotel de Uma Linda Mulher em Beverly Hills; mas sim como ver o letreiro de Hollywood (e o prédio da Netflix, porque né?!) sob outra perspectiva.

Enfim, como dessa vez dediquei cinco dias inteiros para curtir LA com uns locais, deu pra sentir melhor a City.

Nos rolês de 2010 por Los Angeles eu fiz o 360 graus turistona, que inclui subir até o letreiro de Hollywood, andar de bike na orla de Santa Monica até Venice Beach, ser Minnie na Disneyland, e visitar o Hotel Beverly Wilshire, onde Julia Roberts e Richard Gere debutaram suas famosidades no filme “Pretty Woman”

 

DICA NUMERO 1: VOCÊ VAI PRECISAR SE LOCOMOVER DE CARRO. ALUGUEL OU UBER?

LA é uma Sampa, mas diferente de NY, não dá pra contar com transporte público para se locomover pra qualquer lugar, e o trânsito pode ser caótico. A cidade foi planejada para carros, e te obriga a usar as highways (tipo marginais) pra quase tudo. Por exemplo: pra sair de West Hollywood e ir para a famosa Santa Monica, coloca no seu planejamento entre 40 minutos e 1h30 de deslocamento, dependendo do congestionamento. E é difícil não ter trânsito, ein, parça…

– Vá de UBER se: quiser liberdade e não tiver um planejamento fechadinho do que quer fazer na City. Como eu curto tomar umas biritas, e não queria me preocupar com estacionamento, dessa vez (2018) só usei Uber. E deixa eu te contar que em LA tem uma modalidade de Uber que nunca tinha visto: o Uber Pool Express, que é mais barato que o Pool, e limita a viagem a apenas dois passageiros (ou grupos de). Como, então? A diferença entre o Uber X e o Uber Pool é que o Uber Pool Express pode te pedir para encontrar o carro na esquina (curta distância a pé – tipo, menos de 2 minutos – de onde você está e pra onde você vai).

– Alugue um CARRO se: não estiver viajando sozinho (tipo, você mais a namo mais as malas e as malas e as malas… vide minha irmã aqui embaixo tentando arrumar espaço no bagageiro na nossa trip de 2017), e tiver no seu planejamento de viagem vários parques como Disney, California Adventures e Six Flags, que ficam mais distantes. Vale lembrar que as locadoras geralmente oferecem descontos bacanas para locações de longo prazo, tipo trips de mais de 20 dias… Enfim, abre o Excel e planeja que essa é uma tabela gostosa de fazer!

OBS. Você não quer tomar uma multa na Califa! Eu e minha irmã tomamos enquanto dirigíamos de LA para Câmbria, em 2017, num cenário paradisíaco, como mostram as fotos acima: uma montanha, formações rochosas e vegetação do deserto dos dois lados da estrada, uma única via que vai e que volta… Tão mágico que comemos bola, ultrapassamos 20 miles per hour além do permitido (de 55 para 75 mph, tipo pular de 75km/h para 120 km/h). Só soubemos disso quando um carro de polícia saiu do meio do nada, ligou o ióióió atrás da gente, e um policial super polite, quase num flerte com as brazilians que tentavam explicar que não estavam acostumadas com o carro híbrido, pediu o Passaporte da minha sis, e disse que em um mês ela deveria ligar para uma Central na gringa para saber como proceder com o pagamento da multa (que, no caso, ele não sabia precisar quanto custaria e, caso não fosse sanada no período, uma advertência ficaria vinculada ao seu documento de viagem e ela não poderia mais entrar no país!). A gente tremeu de medo na hora, caiu de rir depois, trouxe essa história na mala e ela caiu de novo pra trás quando ligou na Central gringa gastando seu inglês macarrônico e soube que tinha que pagar a bagatela de 800 dólares pra sanar aquela pisadinha de bola hehe. Quer dizer: se decidir pelo carro grandão, lindão e baratão, fica ligado pra não tomar um multão.

 

– Primeira vez em LA? Mix and match. 

Se essa for a sua primeira passagem por LA, provavelmente vai querer fazer um pouco de cada: a cidade, os parques, os outlets e talvez até uma road trip por outras cidades da Califórnia. Pra isso eu sugiro organizar o seu dia a dia e alugar um carro para os dias de maior deslocamento, e se livrar dele quando quiser sair livre leve e soltinho por lá.

Faça a previsão do seu budget de transporte comparando as diárias de locação + garagem fixa perto do seu hotel (porque achar vaga em LA pode ser desgastante…) + estacionamento nos locais que visitar (tem bairro que você vai pagar 4 dólares a cada 12 minutos, tá?), e compare cotando os deslocamentos via Uber e outros serviços de transporte, fazendo simulações nos apps.

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DICA NÚMERO 2: HOSPEDAGEM. ONDE FICAR NESSA CIDADE GIGANTE E CARINHA? 

Hoteis em LA podem ser super caros, e os bairros também podem ser pegadinhas… Expliquei ontem para uma amiga, por exemplo, que West Hollywood (boa opção!) não é a mesma coisa que Westwood! Sugiro incluir na sua pesquisa serviços como AirBnB, Homestay e Craigslist.

Eu já passei noites no Hilton e no Motel6 (dias de luta, dias de glória), mas minha melhor estadia em Los Angeles, pensando em custo benefício, foi nessa viagem mais recente: fiquei no bairro Silver Lake, numa suíte separada da casa dos proprietários – um casal latino gente finíssima; ele, músico apaixonado por Gilberto Gil, e ela cuidando de 3 cachorros e uma gatinha, todos adotados <3) – com frigobar, ar condicionado, jardim delícia, vista vibes, e chave própria pra entrar e sair quando quiser. Tudo limpinho, novinho, com cara de hotel boutique, sabe? Apertadinho sim, mas eu só precisava de um lugar pra dormir e tomar banho com conforto, desfrutando de liberdade e privacidade. Pela bagatela de 70 dólares por noite tá perfeito! O bairro é residencial, mas a algumas quadras ganha aquela cara hipster moderninha de LA, com vários coffee shops – incluindo o charmoso Cafecito Orgânico na esquina -, bares e restaurantes.

Reservei pelo Homestay, mas me pede que eu te mando o contato direto deles. 😉

 

 

DICA(S) NÚMERO 3: DOIS LUGARES IMPERDÍVEIS PRA COMER EM LA

Thai dinner no Jitlada (com pimenta)

  • Se você conhece os Estados Unidos ou assiste séries americanas, sabe o quanto eles cultuam comida asiática, né? Bem, comida tailândesa é o que há de mais hypado em LA, e esse restaurante é dica de insider (atores da indústria, etc). Vários famous fazem parte da clientela e suas fotografias estão na parede, lado a lado com um mooonte de desenhos do Bart e da família Simpsons na parede – o criador Matt Groening não sai de lá!
  • O restô fica escondido em um dos vários malls (concentração de lojas com estacionamentos em esquinas), mas quando você passa da fachada (onde provavelmente vai ficar esperando abrir uma mesa porque o lugar é disputado), entende que que tá rolando.
  • O menu de comida do sul do país é gigante (umas 150 opções de pratos), com algumas páginas dedicadas aos mais apimentados. Rola até um desafio pepper lá pra quem não quiser pagar a conta e, claro, não sofrer com hemorróidas. E quando eu digo “mais apimentada”, caso você não tenha entendido, digo nível HARD! Então quando fizer o pedido, possivelmente o atendente vai olhar pra sua cara de brasileiro e perguntar: “De 0 a 10, quanto?”. E você vai dar um número corajoso, tipo 7, e ele secretamente vai jogar pro 5 no level deles. Então vai com calma e confia.
  • Eles não vão servir a sua mesa com todos os pratos ao mesmo tempo por motivos de licença poética, oldstyle, comfort food; também por isso é legal pedir coisas diferentes e compartilhar com o seu galerê.

Comi no Jitlada e queria repetir: chicken soup, fried garlic morning glory (!), shrimp pad thai noodles, ribs, e de sobremesa arroz com manga e leite condensado (juro que sim) e sorvete de coco com banana frita (me senti uma local, é verdade).

 

Vááárias comidinhas no Grand Central Market (+ um bondinho)

Em Downtown, tipo a Wall Street ou o centro mais business de LA, está o Grand Central Market, um mercadão central que existe desde 1917, e tem umas 40 lojinhas e restaurantes centenários e repaginados que bombam com xófens aos domingos.

 

Tour completo:

  • Primeiro, grab a coffee (ou um super hipster “ICED TURMERIC GINGER ALMOND MACADÂMIA”) no G&B Coffee para dar um rolê 360 graus e entender o que você quer comer lá.
  • Passe no Sarita’s Pupuseria para sentar onde Sebastian e Mia, personagens do filme recordista de Oscars, LaLaLand, tiveram o seu primeiro date, e beliscar delícias de El Salvador. Peça por uma pupusa (tortilha grossa de milho recheada com queijo e acompanhada de uma saladinha de repolho apimentada) e banana frita com feijão e sour cream.
  • Se você é viciado em carnitas ou comida mexicana como eu: pare no Roast To Go (Antojitos Mexicanos), que tá lá desde 1952 e foi eleito como um dos melhores tacos da cidade pelo Los Angeles Times! Porções grandes e maravilhosas. Peça por tacos ou burritos de carnitas (aquelas pessoas bem repetitivas, né?) e por flautas de frango (taquitos fritos, uma paixão que a gente só encontra na Califa). Pra quebrar o jalapeño: beba uma horchata geladinha, bebida feita à base de leite de arroz, canela, açúcar e gelo – que te transporta pra mesa do café da manhã da infância, quando a gente bebia leite com lactose sem medo de ser feliz, mesmo sem ter lactose nesse drink inocente, tá?
  • De sobremesa, o clássico sorvete americano no McConnell’s Fine Ice Cream ou go wild e peça por um Halo Halo no Sari Sari (não tô com gagueira). A sobremesa filipina é composta por pudim de tapioca (são bolhinhas de tapioca imersas num leite vegetal cremoso), pedacinhos de manga ou frutas da estação, geladinho de framboesa (tipo raspadinha, sabe?), uma bola de sorvete de coco e crispies (cereais) de arroz em cima… AMÉM, SENHÔR!

Café no G&B, plataños fritos com frijoles y crema no Saritas (cenário de LaLaLand), taco de carnitas, flautas de frango e horchata no Roast To Go e, pra fechar a orgia gastrônomica, Halo Halo no Sari Sari

Meu rolê 360 graus de mais de uma perspectiva no Grand Central Market de LA:

 

Você vai sair lamentando a barriga cheia e a dificuldade de andar, então segue o fluxo turistão, tira um dólar do bolso e sobe no Angels Flight, uma via estreita funicular ferroviária – ou “bondinho” para os íntimos – criada em 1901 pra ajudar a subir coisas pela ladeira que te leva para a rua de cima.

 

 

DICAS NÚMERO 4: ROLÊS DIFERENTÕES

 

Legalize it! Amsterdam é aqui: os pot shops de LA

A Califórnia é um dos estados dos Estados Unidos que já legalicou a maconha para uso medicinal e recreacional. Isso significa que você pode entrar em mais de 400 lojas espalhadas pela City, sinalizadas com uma cruz verde na fachada, e escolher qual tipo de rolê sua mente quer dar, e em que formato você quer consumir a droga (comestíveis, bebíveis, cápsulas, óleos, vapor), enfim. 100 gramas custam, em média, uns 40 dólares. Não, não comprei.

 

Dois museus incríveis FOR FREE! Porque LA não é só Kardashians e tals. 

  • Una a sua passagem por Downtown (Grand Central Market) para visitar o The Broad – de graça, mas melhor reservar no primeiro dia do mês sua entrada para evitar as filas que geralmente levam de 30 minutos a 2 horas (dá pra acompanhar o andamento em tempo real no Twitter). Coleciona 2 mil peças de arte de 200 artistas conteporâneos e do período pós guerra – incluindo Warhol e os infinity rooms da rainha das bolinhas! Obs. Se você não conhece a Yayoi Kusama, eu contei aqui sobre essa japa muito doida quando a exposição dela parou NY.
  • Planeje também um dia no The Getty Museum que dá lição de civilidade com o nível de qualidade do serviço prestado aos visitantes, fora a arquitetura… Guardaram minhas malas num locker super seguro, e peguei tipo um airtrain pra subir a montanha antes de ver galerias com Van Goghs, Rembrants, Cézannes, jardins insanos, e outras exibições especiais. Eu tive a oportunidade de ver a exposição The Golden Kingdoms (hoje em NY!) sobre a arte produzida em metais nobres, têxteis e pedras pelos incas, maias e astecas antes da chegada dos europeus na América. Enfim… Dá pra perder muito tempo lá, viu?

 

Pra curtir o letreiro de Hollywood sob outra perspectiva – E VER A LUA!

O The Griffith Observatory é um mix de museu de ciências onde qualquer pessoa pode observar a lua e os planetas usando o maior telescópio do mundo fora da NASA (sugiro chegar de tarde, porque a fila geralmente leva uma horinha), e ter uma visão incrível de Los Angeles e do The Hollywood Sign. Se você quiser ir de dia pra aprender sobre o sol, as galáxias, e vários outros paranauês relacionados como passagem de tempo e energia – eu aprendi aqui, por exemplo, que antes de ser marca de carro, Tesla foi um engenheiro essencial no desenvolvimento do sistema de distribuição de energia elétrica que usamos até hoje -, sugiro subir de carro e aproveitar a caminhada na descida. Leva cerca de 40 minutos, e além dos pássaros e da vegetação, no limite da saída do parque você já passa por umas mansões com – adivinha? – “Teslas” absurdos estacionados na porta; pra sentir o que é ser meio rhyco fora de Beverly Hills.

 

Caso minhas ibagens ainda não tenham te convencido a visitar o Griffith, mais uma vez LaLaLand pode te convencer:

 

ENFIM, LA

Eu tô morando em NY, entre idas e vindas, desde 2016. Mas LA é a cidade grande de havaianas, e eu como paulistana que mudou pra Santos, não consigo evitar a coceirinha que me dá de vontade de viver na Califa quando passo por lá… Los Angeles tem aquelas palmeiras cinematográficas em quase tudo quanto é canto, as montanhas terrosas no meio desse verde todo, e aquela maresia no ar (e nos dois sentidos).

As pessoas também são mais laid back, relaxadas. Talvez você receba um bom dia nas ruas, ao invés de uma buzinada de um nova iorquino estressado. A grande dificuldade é pedir direções aos “angelenos” quando você quer andar pela cidade… Eles sabem como chegar nos lugares de carro, e não à toa vão abrir o Google Maps se você pedir ajuda pra se localizar. Desbravar três blocos a pé parece meio insano aos olhos do pessoal da indústria do cinema, saca?

Mas é também uma cidade super plural. Você vê muito mais latinos do outro lado do balcão – e não só te servindo o jantar, por exemplo. É uma Sanctuary City, o que significa que tem políticas que integram e protegem os imigrantes muito mais do que o que vemos em outros cantos dos USA.

Como toda grande cidade com concentração de empresas tech, jovens trabalhadores e um grande apelo turístico, até os bairros que carregavam mais características “raiz”, tipo de cultura mexicana, como o Highland Park, estão mudando e ganhando aquela cara meio universal… As grandes redes de lojas são as mesmas que você encontra no resto do Estados Unidos (ou em Milão), e o coffee shop culture domina os rolês.

Então tem sim o WholeFoods, mas tem também os hipsters de skate com seus catíorros correndo ao lado… E um ou outro hippie dos anos 70, hoje vivendo como moradores de rua e sob altas doses de alucinógenos, talvez na serena expectativa de achar a old Califa em frente ao headquarters do Netflix.

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Mas vem sim que vale a pena! Talvez a gente se encontre aqui, na real. 😉

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